Diretoria da Adufs reúne-se com coordenações do Sintest e do DCE
23/08/2022
Foi consenso a retomada das atividades no espaço do Fórum das 12, além do diálogo sobre o cenário político a partir de 2023
A diretoria da Adufs convidou as coordenações
do Diretório Central dos Estudantes (DCE) e do Sindicato dos Trabalhadores em
Educação do Estado da Bahia (Sintest) para uma reunião. O objetivo foi
conversar sobre a pauta de reivindicação de cada categoria, saber como andam as
negociações junto ao governo estadual e discutir a possibilidade de unificar a
luta em defesa das universidades estaduais no âmbito do Fórum das 12, grupo formado
pelas entidades representativas das servidoras e dos servidores e estudantes
das quatro instituições. Foi consenso a retomada das atividades no espaço do
Fórum das 12, além do diálogo sobre o cenário político a partir de 2023. A
proposta foi feita pelo Fórum das ADs, diante dos
constantes ataques de Rui Costa e sua equipe aos direitos trabalhistas, às
políticas de acesso e permanência estudantil, bem como ao financiamento e à
autonomia destas instituições.
Elson Moura, diretor da Adufs, iniciou as
falas do encontro explicando o porquê dele. O docente resumiu a pauta da
categoria, registrando que esta centraliza-se nos eixos orçamento, direitos
trabalhistas, salário e defesa da autonomia das universidades. O professor
também informou que o Fórum das ADs protocolou a pauta 2022 em dezembro
do ano passado e que, após esta etapa, mesmo com mais de dez pedidos formais
para a reabertura do diálogo e visitas à Assembleia Legislativa da Bahia
(AL-BA) para solicitar a interlocução de deputados no processo, não
obteve respostas do governo Rui Costa.
Em se tratando dos direitos, Elson Moura queixou-se
da morosidade no andamento dos processos ou negativas injustificáveis do
governo estadual para não garantir o previsto em lei, a exemplo dos pedidos de
promoção e progressão, forçando a categoria a recorrer à via judicial para ter
garantido o que está assegurado na legislação. No tocante ao salário, são sete
anos sem reposição inflacionária, impondo à categoria a maior perda salarial
dos últimos trinta anos. Sobre o orçamento, o diretor denunciou que o valor
aprovado na Lei Orçamentária Anual (LOA) para as universidades não tem sido
repassado na íntegra para estas instituições, intensificando ainda mais as
precárias condições de trabalho e estudo, impostas pela política de Rui Costa e sua equipe de desmonte das universidades.
No que se refere à autonomia das universidades,
o professor citou a cessão de parte do terreno
do Horto Florestal para o Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA), mesmo
após o pedido formal ter sido recusado pela Reitoria da Uefs. O que
vem ocorrendo com os pedidos de mudança de regime para Dedicação Exclusiva (DE)
também exemplifica a situação, materializada com a interferência no Estatuto do Magistério Superior. Segundo o Estatuto, os procedimentos para a confirmação de
mudança de regime devem ser concluídos no interior da universidade, após o
cumprimento de etapas burocráticas. A aprovação nas instâncias internas tem
sido desconsiderada e a Secretaria da Administração (Saeb) demora meses
protelando a decisão até, em muitos casos, confirmar o indeferimento. As
estratégias adotadas pelo órgão estadual para negar o direito comprovam a
interferência no documento.
DCE e Sintest
Os representantes do DCE registraram a
reivindicação por 1% da Receita Líquida de Impostos (RLI) para a permanência
estudantil; realização de concurso público para a nomeação de servidores; aumento
do valor das bolsas de pesquisa da Uefs, que atualmente variam entre R$ 400 e
R$ 435, conforme os discentes; além de melhorias, aumento e pontualidade no
pagamento das bolsas do Programa Mais Futuro, carente de reformulação, ampliação
e de publicação de novos editais, segundo Ana
Catarina Santana de Oliveira, uma das diretoras do Diretório Central dos
Estudantes. Para a categoria, o valor das bolsas do Mais Futuro é muito
pequeno para todas as demandas. Somado a isso, há a imposição de metas de
rendimento que ignoram diversas demandas específicas das universidades estaduais,
tornando-o meritocrático e produtivista.
O Mais Futuro é um programa do governo
estadual voltado para estudantes que se encontram em condições de
vulnerabilidade socioeconômica, nas universidades públicas estaduais da Bahia. Universitários
que estudam a até 100 quilômetros da cidade de origem recebem R$ 300. Aqueles
que moram em cidades a mais de 100 quilômetros de distância do campus onde
estão matriculados têm R$ 600.
Sobre as pautas das (os) técnico-administrativos
e analistas, a diretora do Sintest, Daiana Alcântara, informou que, em conjunto
com o Sindicato dos Servidores Administrativos da Uesc (Afusc) e com o Sindicato
dos Servidores Técnico-Administrativos da Uesb (Afus), busca traçar estratégias
comuns para a reivindicação das pautas externas. As pautas internas, também
segundo a diretora, são construídas por cada entidade, a partir das especificidades
de cada universidade, mas sempre em constante diálogo entre os sindicatos.
Daiana Alcântara relatou que houve avanço nas negociações junto ao governo
estadual, ainda que não tenha acontecido conforme a expectativa da categoria. Neste
momento, as diretorias das entidades definiram que as pautas serão levadas aos
candidatos ao governo da Bahia.
Quantas às pautas internas que não avançam, a
diretora informou que o Sintest tem articulado a captação de recursos de
Emendas Parlamentares para a viabilização das mesmas. Entre as reivindicações que
serão concretizadas via recurso com deputados estão a construção de espaço de
convivência para os trabalhadores terceirizados da instituição. Também através
da verba de emenda parlamentar, conquistou melhorias para o Laboratório de
Atividade Física (LAF), que terá uma sala para pilates e outros investimentos; para a
Brinquedoteca, onde será criado um espaço com brinquedos; e para o
Centro de Educação Básica – Creche, que ganhará uma lousa interativa e parte do
recurso complementará a compra de equipamentos para exercícios ao ar livre. O
Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Terceiro Grau do Estado da Bahia é a
entidade representativa das (os) técnicos administrativos da Uefs e da Universidade
do Estado da Bahia (Uneb).
A reunião entre as diretorias da Adufs,
Sintest e DCE ocorreu na última sexta-feira (19), na sede da Adufs. O resultado
do encontro será repassado ao Fórum das ADs, em reunião a ser realizada na
próxima quinta-feira (25).