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O
Dia Internacional Contra a Discriminação Racial é lembrado em 21 de março.
Apesar das conquistas da luta da população negra, o racismo é um dos graves
problemas sociais do século XXI. No Brasil, onde há a maior população negra
fora da África e a segunda maior do planeta – dados do Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística (IBGE) mostram que os negros são 56,10% da população do
país – o racismo estrutural segue perpetuando a violência contra este segmento
social e
dificultando-lhe o acesso às
políticas sociais, nas diversas áreas. O governo de Jair Bolsonaro, cujas declarações e práticas preconceituosas
são públicas, antes mesmo de assumir a presidência, aprofundou as desigualdades
raciais e perpetrou o genocídio do povo negro, principalmente após a pandemia
da Covid-19.
As
marcas da exploração que marcou pouco mais de três séculos e meio da história
do Brasil e a falta de políticas públicas de reparação estão refletidas no
nível de vida da população negra. Conforme dados do IBGE, os negros somam 67%
dos atendimentos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Os brancos são 47,2%. A
disparidade educacional no Brasil também tem cor. Ainda conforme o
Instituto (2020), a taxa de conclusão do ensino médio (proporção de pessoas de
20 a 22 anos que concluíram esse nível) deste grupo é de 60%, enquanto a dos
brancos é de 76,8%. Os negros são 49,9% dos estudantes do ensino superior da
rede pública, no entanto, como formam a maioria da população, continuam
sub-representados. A desigualdade educacional acaba se refletindo ainda nas
disparidades do mercado de trabalho – negros são quase 72,5% dos desocupados. A
população negra está mais inserida em ocupações informais e representam 47,4%
deste mercado. Os brancos são 34,5%.
O
racismo estrutural relega os altos índices de insegurança alimentar aos negros.
Pesquisa do Datafolha (2021) revela que 19,1 milhões passam
fome (insegurança alimentar grave). Das residências habitadas por pessoas
pretas e pardas, a fome esteve em 10,7%. Entre pessoas de cor/raça branca, esse
percentual foi de 7,5%.
Genocídio
do povo negro
A diferença
racial não escapa das desoladoras estatísticas sobre a violência no Brasil, que
têm os negros como principal alvo. De acordo com pesquisa do Atlas da Violência
(2021), eles representaram 77% das vítimas de homicídios, o que significa que a
chance de um negro ser assassinado é 2,6 vezes superior àquela de uma pessoa
não negra. Da mesma forma, as negras representam 66 % do total de mulheres
assassinadas no Brasil. Na Bahia, o cenário é semelhante. A Polícia Militar
(PM) do governo Rui Costa é a mais letal do Nordeste, com 461 mortes em
operações, segundo a Rede de Observatórios da Segurança (2021). Negros somam
94% das vítimas de homicídio.
A
eleição de Jair Bolsonaro à Presidência da República aprofundou ainda mais as tensões
raciais e os crimes contra os negros. Escancaram a política de Estado de
privilégio da população branca em detrimento da negra, projetos que
contingenciam recursos destinados a programas sociais, cortes nos repasses para
as áreas da Educação e Saúde, além da aprovação de reformas que prejudicam em
maior intensidade a população negra, que se encontra nos empregos mais
precários e cumprem extensas jornadas de trabalho, a exemplo das reformas
Trabalhista e Previdenciária.
Aqueles que não
concordam e não aceitam essa política criminosa, precisam denunciá-la e somar-se
à luta contra o racismo. Vidas negras importam!
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