Para derrotar a extrema-direita nas urnas: Lula 13
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O ANDES-SN realizou, entre os
dias 18 e 22 de setembro, em Brasília (DF), o X Seminário Nacional de Saúde
do(a) Trabalhador(a) Docente e a IV Jornada de Assuntos de Aposentadoria. A
programação também contou com a reunião do Grupo de Trabalho Seguridade Social
e Assuntos de Aposentadoria (GTSSA), realizada no dia 18, na sede do Sindicato
Nacional.
As atividades reuniram
docentes de 21 seções sindicais para debater saúde docente, defesa do Sistema
Único de Saúde (SUS), intensificação do trabalho, direito à desconexão,
adoecimento, aposentadoria, idadismo e participação de docentes aposentadas e
aposentados na organização sindical.
Saúde docente e
SUS
A primeira mesa do Seminário,
realizada no sábado (19), discutiu a defesa do SUS e o compromisso com a
determinação social da saúde.
O debate contou com a
exposição de Maria Valéria Correia, docente e reitora honorária da Universidade
Federal de Alagoas (Ufal), e Francisco Batista Júnior, da Secretaria de Estado
da Saúde no Rio Grande do Norte e ex-presidente do Conselho Nacional de Saúde.
A mesa destacou a necessidade de compreender o processo saúde-doença a partir
das condições sociais e históricas em que as pessoas vivem e trabalham.
Nessa perspectiva, questões
como classe, gênero e raça não são consideradas apenas fatores que influenciam
a saúde, mas dimensões que integram as condições de vida e de trabalho da
classe trabalhadora. Também foi reforçada a defesa de um SUS público, de
qualidade e sob gestão estatal, além da necessidade de aprofundar a compreensão
sobre o próprio conceito de saúde.
Para Lívia Santos, 1ª
vice-presidenta da Regional Planalto e da coordenação do GTSSA do ANDES-SN,
essa discussão é fundamental para que o enfrentamento ao adoecimento docente
não seja reduzido a questões individuais.
“Precisamos ampliar e
aprofundar o debate sobre saúde a partir da perspectiva da determinação social,
compreendendo como as condições de vida e trabalho interferem no processo de
saúde e doença. Isso passa pela defesa do SUS público, de qualidade e sob
gestão estatal e pela necessidade de aprofundarmos a própria compreensão sobre
o que entendemos por saúde”, avaliou.
Enquete sobre
saúde docente
Os resultados da Enquete
Nacional do ANDES-SN sobre Saúde Docente também estiveram entre os temas
centrais do Seminário. A apresentação feita pelo docente Renne Rodrigues, da
Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), discutiu mudanças no perfil do
adoecimento, os efeitos do uso intensivo de tecnologias e as transformações no
mundo do trabalho. Leia mais aqui.
Rodrigues apresentou um
panorama marcado pela transição epidemiológica, pelo uso intenso de tecnologias
e por novas formas de compreender o trabalho e seus efeitos sobre a saúde. O
docente apontou como a sobrecarga de trabalho está diretamente relacionada aos
afastamentos e à piora na autoavaliação da saúde.
Segundo Lívia Santos, a
enquete pode ser utilizada como instrumento de mobilização e organização da
categoria, além de subsidiar as reivindicações do Sindicato Nacional junto ao
Ministério da Educação (MEC), reitorias e demais espaços de negociação. “A
enquete não é o ponto final, mas o início de um processo. Precisamos continuar
divulgando os resultados, aprofundando as análises e utilizando essas
informações para subsidiar nossas demandas e fortalecer o diálogo com a
categoria. Os dados ajudam a explicitar a intensificação do trabalho e podem
contribuir para a construção das nossas lutas”, afirmou.
Intensificação do
trabalho e direito à desconexão
A discussão sobre saúde foi
diretamente relacionada à intensificação e à precarização do trabalho docente.
O direito à desconexão foi apresentado pelas docentes Laura Valle Gontijo, da
Universidade de Brasília (UnB), e Lívia Santos, que também é docente da
Universidade Federal de Goiás (UFG), como uma reivindicação vinculada às
condições de vida e trabalho da categoria.
O debate apontou a necessidade
de compreender a desconexão não apenas como uma solução individual para lidar
com a sobrecarga, mas como parte da luta por melhores condições de trabalho,
pelo direito ao tempo livre e pela melhoria das condições das instituições de
ensino.
Carreira,
adoecimento e qualidade de vida
O X Seminário Nacional de
Saúde prosseguiu no domingo (20) com a mesa sobre a relação entre tempo de
carreira, adoecimento e qualidade de vida na aposentadoria, aproximando os
debates dos dois eventos. O professor Luiz Henrique Schuch, vice-presidente da
Associação dos Docentes da Universidade Federal de Pelotas (Adufpel SSind.),
contou sobre a sua trajetória na carreira docente e na organização sindical.
A exposição recuperou momentos
da história do ANDES-SN e relacionou as transformações e ataques sofridos pela
categoria aos impactos sobre a vida e o trabalho docente, ressaltando a
importância da organização e da luta coletiva. Também foram apresentados
dados pela economista do Dieese, Mariel Angeli Lopes, sobre o adoecimento
docente. As informações apresentadas dialogaram com os resultados identificados
pela Enquete Nacional do ANDES-SN.
Experiências de
lutas
Ainda no domingo, foi realizada
uma roda de conversa sobre as experiências de lutas da categoria docente, que
possibilitou o compartilhamento de iniciativas desenvolvidas pelas seções
sindicais nas áreas de saúde e aposentadoria. Mesmo com o tempo reduzido para o
debate, a atividade evidenciou a diversidade de ações realizadas pelas
entidades e reforçou a importância dos resultados da Enquete como elemento de
mobilização.
IV Jornada de
Assuntos de Aposentadoria
Na segunda-feira (21), teve
início a IV Jornada de Assuntos de Aposentadoria com o debate sobre idadismo no
contexto do trabalho docente. O conceito trata do preconceito e discriminação
contra pessoas com base na idade, com atenção, nesse caso, aos impactos sobre
as pessoas mais velhas.
As palestrantes Leides Moura,
docente da Universidade de Brasília (UnB), e Caroline Lima, 1ª vice-presidenta
do ANDES-SN, do Grupo de Trabalho Políticas de Classe para as Questões
Étnico-raciais, de Gênero e Diversidade Sexual (GTPCEGDS) e docente da Universidade
do Estado da Bahia (Uneb), abordaram as diferentes formas de preconceito e
discriminação associadas à idade.
A discussão destacou como a
valorização da juventude está articulada com o capitalismo, que reduz o
trabalhador à mercadoria – que é mais passível de ser explorada quando jovem.
Também foram debatidas as formas de constituição e expressão desse preconceito
e a necessidade de enfrentá-lo no cotidiano.
Para Jacqueline Lima, 1ª
secretária do Sindicato Nacional e da coordenação do GTSSA, é necessário
aprofundar o acúmulo do ANDES-SN sobre o tema e pensar formas de enfrentamento
tanto no âmbito nacional quanto nas seções sindicais.
“Precisamos ampliar o debate
sobre o idadismo, aprofundar a compreensão sobre o conceito e construir
estratégias de enfrentamento nos diferentes espaços do Sindicato. Isso também
nos leva a repensar nosso próprio vocabulário e nossas práticas. Mais do que
falar apenas em acolhimento, precisamos fortalecer o engajamento, o compromisso
e a participação das e dos docentes aposentados nos espaços do sindicato”,
afirmou.
Diagnóstico
aposentados
A Jornada também apresentou os
resultados do diagnóstico sobre as condições de acolhimento, apoio e suporte às
e aos docentes aposentados, divulgado pelo ANDES-SN por meio da Circular nº
394/2026. Confira aqui.
O levantamento reuniu
informações encaminhadas por 35 seções sindicais e abordou aspectos como
acolhimento, representação, vínculo sindical, atualização cadastral, entre
outros. Os resultados apontam que 94,3% das seções oferecem suporte jurídico e
administrativo às e aos docentes aposentados, enquanto 48,6% desenvolvem ações de
acolhimento ou orientação no momento da transição para a aposentadoria.
Fim da
contribuição previdenciária
A última mesa da Jornada
tratou do fim da contribuição previdenciária de aposentadas e aposentados do
serviço público, abordando os desafios da luta sindical e os efeitos das
mudanças na Previdência.
Sara Granemann, docente da
Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e Leandro Madureira, da
Assessora Jurídica Nacional (AJN) do ANDES-SN, discutiram o avanço da
capitalização e a relação entre os recursos das trabalhadoras e dos
trabalhadores e o mercado financeiro, além de questões relacionadas ao
endividamento docente.
Em defesa da
Previdência Social
Como parte da programação, foi
realizado um ato em defesa da revogação das contrarreformas da Previdência e
pelo fim da contribuição previdenciária das aposentadas e dos aposentados, em
frente ao Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI).
Uma comissão formada por
representantes da diretoria do ANDES-SN, da Fasubra e de docentes da base que
participavam da Jornada foi recebida por integrantes do governo. Na reunião,
foram apresentadas reivindicações da categoria sobre Previdência e a situação
das e dos docentes aposentados.
Segundo os representantes do
governo, em razão do período de defeso eleitoral, não seria possível avançar
naquele momento em algumas das medidas apresentadas. A orientação foi para que
o Sindicato protocole o documento novamente após o encerramento do período,
para que os pontos apresentados possam ser retomados.
Desafios para a
organização sindical
Ao longo das atividades, os
debates reforçaram a relação entre as condições de trabalho, o adoecimento e a
vida após a aposentadoria. Para as e os participantes, os desafios apresentados
exigem que o Sindicato avance na compreensão das causas estruturais do
adoecimento e, ao mesmo tempo, fortaleça a mobilização da categoria.
“Não podemos reconhecer o
adoecimento como expressão de questões estruturais e, ao mesmo tempo, propor
enfrentamentos exclusivamente individuais. É preciso compreender os mecanismos
que produzem esse cenário, mas também construir formas de mobilizar a categoria
a partir de problemas concretos vivenciados no trabalho. Esse segue sendo um
dos grandes desafios que apareceram em diferentes momentos do Seminário e da
Jornada”, destacou Lívia Santos.
Jacqueline Lima ressaltou que
a articulação entre saúde, trabalho e aposentadoria contribui para fortalecer a
atuação do Sindicato. “Os debates mostraram que saúde, trabalho e aposentadoria
não são temas separados. São dimensões que atravessam a trajetória das
professoras e dos professores e que precisam estar articuladas na nossa
organização sindical. Fortalecer a participação das e dos aposentados,
enfrentar o idadismo e lutar por melhores condições de trabalho são partes de
uma mesma construção coletiva”, concluiu.
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