Nenhum passo para trás! Derrotar a extrema direita e defender a educação, os direitos trabalhistas e os serviços públicos!
05/10/2026
Os resultados eleitorais deste domingo colocam o Brasil diante de um grave risco. O candidato à presidência da extrema direita, Flávio Bolsonaro, terminou o primeiro turno à frente, e a extrema direita sai fortalecida nas disputas para o Congresso Nacional, as assembleias legislativas e os governos estaduais. No dia 25 de outubro, a população brasileira decidirá se o país segue o caminho do estado democrático de direito ou se adere a um projeto autoritário que já demonstrou ser adversário do serviço público, da educação, do conhecimento e da classe trabalhadora.
Sob o governo de Jair Bolsonaro, o diálogo com as/os servidoras/es públicas/os foi simplesmente extinto: não houve negociação e o funcionalismo foi tratado como inimigo a ser combatido com “granada”, para usar a metáfora sem pudor do seu então ministro da Fazenda, Paulo Guedes. Em plena pandemia da covid-19, enquanto as/os servidoras/es sustentavam o país na linha de frente, o tempo de serviço foi congelado. A “reforma” da previdência, por sua vez, deixou a aposentadoria ainda mais distante para as/os que vivem do trabalho.
A ameaça mais devastadora, porém, veio com a PEC 32/2020. Uma falsa “reforma” que sob a propaganda da “modernização” do Estado busca desmontá-lo estruturalmente. Até o momento contida, a proposta segue como desejo da extrema direita e uma eventual eleição de Flávio Bolsonaro certamente propiciará seu avanço. Ao acabar com a estabilidade para a grande maioria das/dos servidoras/es, restringindo-a a um punhado de carreiras, a proposta abre caminho para contratos temporários e precários, alastrando a terceirização e ampliando contratações fruto de aparelhamento político.
É importante destacar que os efeitos da PEC 32/2020 está dirigida a todos os entes da federação, impactando não apenas servidores/as federais, mas também estaduais e municipais. Além disso, a proposta amplia o poder do presidente de extinguir órgãos e entidades por decreto e ataca outros direitos das carreiras públicas. Como sem estabilidade não há independência para ensinar, pesquisar, criticar e denunciar, a proposta fere de morte um dos pilares da universidade pública que é a autonomia.
Ao aparelhamento do Estado, não se deixará de somar os ataques sistemáticos à imprensa que já foram vivenciados em “cercadinhos” e perseguições de toda sorte, marcas de um projeto que despreza a democracia e não consegue conviver com o escrutínio e o contraditório e que, portanto, desprezam os valores democráticos.
Consoante com as deliberações do Congresso do ANDES, o Fórum das ADs reafirma sua posição de enfrentamento e luta contra o avanço da extrema direita. Para além do voto, conclamamos que docentes, técnicas(os), estudantes, toda a comunidade universitária, participem das plenárias, assembleias, atos e atividades de mobilização. Com organização, é preciso enfrentar os ataques aos direitos da classe trabalhadora, as políticas de desmonte dos serviços públicos, de restrição de direitos, além do negacionismo contra a ciência e o desprezo pela educação. Quem defende a universidade pública não pode ficar à margem desse enfrentamento.
Essa mesma disposição de luta nos autoriza a olhar para a Bahia com firmeza e responsabilidade. Jerônimo Rodrigues se elegeu governador num estado que, mais uma vez, demonstrou sua identidade democrática e popular, e é justamente por isso que a categoria espera dele coerência. O Fórum das ADs exige que o governador cumpra o compromisso de manter aberta a mesa de negociação com o movimento docente, com diálogo real e respostas concretas à pauta da categoria. Cobra, também, a reversão da política de cortes orçamentários nas Universidades Estaduais da Bahia (UEBA), que sufoca a pesquisa, a extensão, a assistência e permanência estudantil e o funcionamento cotidiano das instituições. Não é possível combater o desmonte no país e cometê-lo na Bahia.
As despesas em educação não são gastos, são o fundamento do desenvolvimento humano e socioeconômico de um povo. As UEBA formam cidadãs/ãos e profissionais, levam o conhecimento a todo o interior, geram renda e ampliam as oportunidades do povo baiano. Estrangulá-las compromete o futuro de toda a Bahia.
Em defesa dos serviços públicos e da educação pública, gratuita e de qualidade, convocamos, a categoria e toda a comunidade acadêmica à mobilização permanente neste segundo turno. A democracia e a universidade pública se defendem com luta!