Roda de Conversa sobre violências discute estratégias de prevenção, combate e enfrentamento de casos na UEFS

21/09/2026

Na última quarta-feira, 16 de setembro, a Adufs promoveu uma Roda de Conversa para discutir estratégias coletivas para prevenção, enfrentamento e combate à violência no campus da UEFS. Na ocasião, foi realizado o lançamento do Protocolo de Combate, Prevenção, Enfrentamento e Apuração de Assédio Moral e Sexual, Racismo, LGBTFobia e Qualquer Discriminação e Violência do ANDES-SN. A professora Caroline Lima, 1ª vice-presidenta do Andes-SN, participou da atividade.

 

A discussão contou com a participação de professoras, professores, estudantes, técnicas(os) e analistas e representantes de grupos de pesquisas, movimentos organizados da comunidade universitária e da sociedade civil. Uma característica do público que chamou atenção foi a presença mínima de homens, o que foi visto como algo a ser fomentado já que muitas violências que estavam em debate são protagonizadas por homens.

 

Lançamento do Protocolo

O Protocolo de Combate,Prevenção, Enfrentamento e Apuração de Assédio Moral e Sexual, Racismo,LGBTFobia e Qualquer Discriminação e Violência do ANDES-SN é um documento de referência que institui normas e procedimentos no âmbito das políticas institucionais. O material contempla entendimentos, estratégias e formas de combate para as práticas violentas contra mulheres, meninas e menines que têm aumentado significativamente nas instituições públicas de ensino. O documento foi elaborado pelo Andes-SN e aprovado no 43º Congresso do Sindicato Nacional, em 2025.

 

A professora Caroline Lima enfatizou a importância de disseminação do conteúdo que pode instrumentalizar as pessoas no entendimento das práticas de violência, assim como oferece suporte acerca de quais medidas podem ser tomadas institucionalmente. A professora Caroline destacou que este é um caminho complexo, visto que as situações envolvem dinâmicas diversas que muitas instituições não estão preparadas para o acolhimento. Além disso, ela alertou que o protocolo não apresenta todas as respostas, mas se configura como uma ferramenta importante para respaldar as ações de enfrentamento.

 

Plenária

Muitas falas corroboraram com o entendimento de que as dinâmicas internas comprometem o avanço das denúncias, seja por constrangimento, medo ou desinformação. A professora Ivy Guedes alertou para a importância de vincular o debate com as reflexões acerca do racismo estrutural, afinal a maioria absoluta das vítimas são mulheres negras. Já a professora Cida Sanches refletiu sobre a ausência masculina no debate, o que confirma a necessidade de ampliar as estratégias para fazer a discussão avançar junto ao público que comete a violência.

O estudante Clayton Gabriel se colocou ainda à disposição da luta em defesa das mulheres, como um aliado que continuamente constrange colegas homens em ações de cunho discriminatório. A professora Ana Maria Carvalho enfatizou a importância da realização da atividade e lembrou que a universidade reflete as demandas da sociedade, por isso, é fundamental enfrentar essas questões internamente para que a universidade possa ser um espaço de maior inclusão e acolhimento.

 

A professora Valdilene Gondim, diretora da Adufs, enfatizou a importância do momento e participação das representações da Reitoria, Ouvidoria, Comissão de Enfrentamento às Violências, porque de fato as ações devem ser pensadas estrategicamente com a comunidade universitária em conjunto com a Administração Central, para que soluções práticas e efetivas sejam tomadas.

 

Ações da Adufs

A organização da Roda de Conversa foi feita pelo Grupo de Trabalho de Políticas de Classe para Questões Étnico-raciais, de Gênero e Diversidade Sexual (GTPCEGDS) como mais uma ação de combate e enfrentamento as violências. No mês de agosto, a Adufs, por meio do GT, lançou a campanha Mulheres Cis, Trans e Travestis+: Vivas, Livres e sem Medo, com material informativo contendo sinais de alerta e canais de denúncia.

 

Além disso, a Adufs participou da ação conjunta de lançamento dos bancos vermelhos no campus da UEFS, que funcionam como mais um instrumento de alerta para prevenção de feminicídio. São ações simbólicas e práticas de construção de estratégias para contribuir na redução de casos de violência que atingem cada vez mais mulheres, sobretudo, as negras, sejam elas cis, trans ou travestis.

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