Adufs participa de Aula Magna do semestre 2026.2 da UEFS
21/08/2026
A Adufs foi representada pela professora Andressa Ferreira, na Aula Magna do semestre 2026.2, que ocorreu nesta quinta-feira, 20 de agosto, e teve como tema Universidade Pública e Capital Privado: Disputas pela Propriedade Intelectual e Produção de Conhecimento, com o pesquisador Drº Gustavo Machado, do Instituto Latino-Americano de Estudos Socioeconômicos (ILAESE) e divulgador científico no canal Orientação Marxista.
Na ocasião a professora lembrou dos enfrentamentos que têm sido travados no âmbito interno e externo, relativos ao orçamento da universidade e falou sobre o compromisso da Seção Sindical contra políticas de mercantilização da educação. Além disso, ela apresentou dados atualizados que confirmam a política de desinvestimento que vem sendo direcionada às universidades estaduais:
“Nas últimas décadas a universidade pública, de modo geral, e as universidades estaduais da Bahia, em particular, têm sido alvos de uma política de contingenciamento orçamentário. Em resumo, no papel, o orçamento aprovado para as instituições tem sido cada vez maior, acompanhando o aumento da arrecadação de impostos. Já na prática, o valor executado é muito inferior e insuficiente para dar conta do funcionamento da universidade. Podemos tomar como exemplo as despesas de investimento - destinada a obras e compra de equipamentos - que teve, em 2025, uma execução de apenas 43,68% do que foi orçado. Neste ano de 2026, e já estamos no mês de agosto, foi executado apenas 19,32% do orçamento. Ou seja, um patamar que sinaliza uma execução inferior aos 43% do ano passado”.
A professora Andressa Ferreira, que é também integrante do Grupo de Trabalho de Verbas e Fundações (GT Verbas), explicou os impactos do contingenciamento no funcionamento das universidades estaduais: “O encolhimento do orçamento afeta diretamente despesas essenciais que envolve a dinâmica da tríade universitária no ensino, na pesquisa e na extensão, como a negativa de transporte para projetos extensionistas, limite de concessão de passagens para participação em eventos, especialmente de discentes, além de contratos terceirizados, manutenção predial e políticas de permanência estudantil. Tais fatores incidem na precarização das condições de trabalho para trabalhadoras e trabalhadores que têm direitos básicos continuamente negados”.
Confira o discurso da professora Andressa na íntegra:
Em nome da Adufs, cumprimento as pessoas aqui presentes
neste momento tão simbólico de retomada das atividades do semestre 2026.2.
Estamos felizes por receber novas e novos estudantes na universidade e perceber
um campus ainda mais diverso. Ser parte da comunidade universitária da UEFS na
condição de estudante ou de trabalhadora é algo que, sem dúvida, nos enche de
orgulho. Somos responsáveis pela produção de um conhecimento que ao longo
destes 50 anos tem transformado o cenário de Feira de Santana e seu entorno,
mas, sobretudo, tem transformado vidas.
Desde que a UEFS assumiu o pioneirismo na interiorização do
Ensino Público Superior, assumimos, coletivamente, o compromisso de defender a
educação pública, gratuita e de qualidade socialmente referenciada, como um
pressuposto basilar para o desenvolvimento das nossas atividades no tripé do
ensino, pesquisa e extensão. A UEFS é um patrimônio da população baiana e deve
continuar sendo porta-voz dos seus anseios e demandas.
Para isso, é preciso que haja autonomia nas tomadas de
decisões que vão desde quais cursos oferecer, passando pela qualificação do
acesso e permanência estudantil, até quais pesquisas e projetos serão
desenvolvidos.
Estamos falando de assegurar a autonomia universitária e a
democracia para garantir que a UEFS continue a cumprir a sua função social. Não
há autonomia sem recursos públicos orçamentários suficientes para as demandas
do Ensino, da Pesquisa e da Extensão. Não há democracia plena com o avanço de
políticas neoliberais que corroboram com o processo de mercantilização da
educação pública.
Nas últimas décadas a universidade pública, de modo geral, e
as universidades estaduais da Bahia, em particular, têm sido alvos de uma
política de contingenciamento orçamentário. Em resumo, no papel, o orçamento
aprovado para as instituições tem sido cada vez maior, acompanhando o aumento
da arrecadação de impostos. Já na prática, o valor executado é muito inferior e
insuficiente para dar conta do funcionamento da universidade. Podemos tomar
como exemplo as despesas de investimento - destinada a obras e compra de
equipamentos - que teve, em 2025, uma execução de apenas 43,68% do que foi
orçado. Neste ano de 2026, em que já estamos no mês de agosto, foi executado
apenas 19,32%. Ou seja, um patamar que sinaliza uma execução inferior aos 43%
do ano passado.
O encolhimento do orçamento afeta diretamente despesas
essenciais que envolve a dinâmica da triade universitária no ensino, na
pesquisa e na extensão, como a negativa de transporte para projetos extensionistas,
limite de concessão de passagens para
participação em eventos, especialmente de discentes, além de contratos
terceirizados, manutenção predial e políticas de permanência estudantil. De
modo que tais fatores incidem na precarização das condições de trabalho para
trabalhadoras e trabalhadores que têm direitos básicos continuamente negados.
Isto não ocorre por acaso.
Há uma política de desinvestimento e inanição financeira em
curso que empurra as universidades para processos de financiamento que vão de
encontro aos seus princípios básicos de autonomia. Quando o Estado transfere a
responsabilidade da gestão financeira para o capital privado ou para fontes de
recursos que fazem concessões para fins questionáveis, coloca o lucro e outros
interesses acima das demandas sociais e alteram os princípios que dão sentido à
existência de uma universidade pública.
O resultado disso são processos de produtividade
incompatíveis com a dinâmica de produção de conhecimento no âmbito científico,
a ampliação da competitividade com base em critérios mercadológicos e controle
externo da produção.
Como Seção do Andes-Sindicato Nacional, a Adufs tem lutado
contra os avanços destas políticas que já se mostraram nocivas em outras
instituições públicas que perderam o controle sobre a produção de conhecimento.
A denúncia feita por nós, da Adufs, acerca do caráter privatista das minutas
apresentadas pela Administração Central no âmbito Conselho Superior da UEFS,
reflete aquilo que entendemos como papel de uma organização que defende o
ensino, a pesquisa e a extensão de caráter universalizantes, a partir das
necessidades sociais e especificidades locais e regionais. O nosso compromisso
é com a defesa de uma categoria, mas, sobretudo, com as demandas sociais da
educação pública superior.
A ampliação do financiamento advindo do capital privado nas
instituições é somente a ponta do iceberg de um problema que é muito anterior e
não pode se resumir a soluções fáceis que colocam a produção intelectual como
moeda de troca para garantir a existência das instituições. Entendemos que a
própria condição laboral e de estudo, que são precárias, por vezes nos empurram
para o entendimento equivocado de que estes recursos seriam uma solução
razoável. Mas o cenário que se avizinha, com base nos exemplos de outras
instituições, nos confirma que este é somente mais um tentáculo da precarização
que atingirá não somente a produção como os resultados obtidos dela.
Temos muitos desafios pela frente,
mas continuaremos lutando contra quaisquer processos privatistas no âmbito da
UEFS. Seguiremos lutando, junto ao Fórum das ADs, pela ampliação da execução
orçamentária nas universidades estaduais da Bahia, para que possamos, por mais
50 anos, ter acesso a espaços de debate qualificados como sabemos que este será.
Espaços feitos por gente, em que a tônica central é a transformação de vidas
por meio da produção crítica do conhecimento científico, assim como defendia o
nosso estimado professor emérito José Jerônimo de Morais, um dos fundadores da
Adufs, que nos deixou no dia 14 de agosto, mas que seguirá sendo exemplo de
sabedoria e força para os nossos enfrentamentos.
À sua memória, todo o nosso respeito e reverência.
Professor José Jerônimo, presente! Hoje e Sempre!
