Nota de Pesar - Sra. Djanir Lemos Bastos
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Nesta quarta-feira (16), foi realizada a Aula
Magna da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS) com o tema “Reflexões
sobre a construção de uma educação antirracista”. A palestrante foi a
professora Dra. Letícia Carolina Nascimento (UFPI), travesti, negra, gorda, de
religião de matriz africana e ativista aguerrida de diversos movimentos em
defesa das populações negras e LGBTQIAP + e do movimento docente. Ela é ainda
2ª vice-presidenta da Regional Nordeste I do Andes-SN.
A professora Letícia enfatizou a importância de
ser a primeira travesti a proferir uma aula magna, mas ressaltou como os
espaços educacionais ainda são violentos e hostis para pessoas que estão fora
dos padrões normativos, como são os corpos de pessoas travestis, transgêneros,
sobretudo, se forem corpos negros e acumularem a esta condição ainda mais
elementos estigmatizados pela sociedade, como é o caso das religiões de matriz
africana. “Nós precisamos entender que as universidades são instituições
racistas, são instituições machistas, são instituições LGBTfóbicas porque nós
vivemos numa sociedade que naturaliza todas essas violências. Esse
reconhecimento é fundamental, porque se não parece que estamos falando de um
espaço tão lindo, tão maravilhoso que a gente não precisa mais promover nenhuma
reforma. [...] O primeiro passo para a gente pensar numa educação antirracista
é reconhecer que, infelizmente, a nossa instituição ainda é racista, mesmo
tendo professores e professoras negras, ainda é racista. Mesmo tendo, muito
possivelmente, a maioria das alunas, dos alunos e des alunes negres, ainda é
racista. E nós conseguimos perceber isso na maneira que as universidades se
organizam. Porque o que mais nós temos discutido é a necessidade, não só de
entrada destas corporalidades abjetas que não possuem o reconhecimento como
seres humanos e humanas dentro dessa instituição, mas fundamentalmente as
políticas de permanência [...] e a reformulação curricular. Não dá mais para
estudar autores europeus. Chega dessa colonização curricular”, afirmou a
professora.
Letícia Carolina destacou as violências
enfrentadas individualmente e na coletividade por não se enquadrar em um perfil
normativo, o que demanda um enfrentamento cotidiano que exige explicações
contínuas acerca do seu gênero, sexualidade e detalhes que para outras pessoas
são irrelevantes, como o uso do próprio nome. “Na minha tese eu chamo isso de pesagogia do cansaço. A gente que é pessoa trans, que é pessoa negra, se
cansa de ter o tempo todo que explicar o que é racismo, o que é transfobia
[...] Este é um cansaço que as pessoas brancas não sentem, que as pessoas
cisgêneras não sentem. As pessoas heterossexuais não são questionadas sobre as
suas identidades, mas nós somos. Nós temos que – inclusive porque há um processo de apagamento
da nossa identidade pessoal – responder por todas as pessoas negras”, destacou.
Toda a palestra da professora Letícia foi marcada
por um discurso propositivo acerca da construção de uma educação antirracista
que se coloque de forma inclusiva e representativa também para gêneros
diversos, levando em consideração que esta é uma tarefa que deve abarcar desde
a formação de professoras e professores; a grade curricular dos cursos; o
acesso e permanências de diferentes grupos e a promoção de ações que
qualifiquem profissionais e, sobretudo, pessoas para o respeito à diversidade.
Participação da Adufs
Representando a Adufs, a professora Acácia
Batista Dias esteve na mesa de abertura e lembrou a luta que vem sendo travada
pelo movimento docente para conseguir estabelecer uma mesa permanente de
negociação com o governador do Estado, Jerônimo Rodrigues. Neste mês de agosto,
em especial, o Fórum das ADs está desenvolvendo uma campanha acerca do
Orçamento das Universidades Estaduais da Bahia (UEBA) que reforça a necessidade
de ampliação do investimento. Isso porque, desde 2016 o percentual destinado ao
orçamento das universidades vem caindo drasticamente.
Em 2021, apenas 3,28% da RLI foi repassado,
apesar do aumento da arrecadação do Estado. O desinvestimento afeta diretamente
a comunidade interna e externa, já que os serviços oferecidos pela UEFS, por
exemplo, alcançam mais de 900 mil pessoas todos os anos. O
Movimento Docente reivindica o repasse de 7% da RLI para permitir um maior
planejamento e ampliação das universidades e novas linhas de atuação.
Antes da Aula Magna uma panfletagem foi realizada
por integrantes da diretoria que distribuíram material informativo sobre a
pauta Orçamento mostrando as reivindicações da categoria. Como o Orçamento 2024
das universidades será votado no segundo semestre deste ano, o objetivo agora é
pressionar o executivo e o legislativo para que haja uma ampliação do
investimento nas UEBA.
Em homenagem à palestrante, a professora Acácia Batista, citou um trecho do livro Parem de Nos Matar, de Cidinha da Silva, que destaca a luta constante da população negra e os estigmas vividos no cotidiano: “Quanto mais negra, quanto mais consciente e senhora de si, mais alvo: Como Lilian de Souza, jornalista baiana cujo cabelo black power foi rejeitado no processo de renovação de passaporte obrigando-a a prendê-lo com borracha de dinheiro para que sua imagem fosse aceita. Quanto mais negro, quanto mais melanina, mais alvo. Quanto mais negro, quanto mais negros juntos, mais alvo, mais alvo de autos de resistência e nessa hora estamos a sós, desprotegidos e sós. Apenas depois de sobrevivermos ao susto da violência, a poesia nos acalentará”. Letícia ‘é a nossa poesia!’, concluiu a professora.
Protesto na Aula Magna
Durante a Aula Magna, estudantes de Psicologia
reivindicaram a realização de mais concursos para docentes do curso, já que o
déficit tem comprometido a qualidade das atividades desenvolvidas nas áreas de ensino, pesquisa e extensão. Algumas turmas, já em período
de conclusão, têm pendências com disciplinas optativas, o que
chega a impedir a formação das (os) estudantes.
As (os) discentes destacaram que a falta de
professoras e professores prejudica a realização de disciplinas e sobrecarrega
docentes que precisam acumular diversas demandas. Atualmente, o curso de
Psicologia conta com 22 docentes, mas são necessários 33 para completar a grade
curricular.
As (os) estudantes compareceram à Aula Magna e fizeram um protesto silencioso com cartazes que denunciavam a situação do curso.
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