ANDES-SN disponibiliza Caderno de Textos do 69º Conad
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Nos últimos dias, a
prefeitura de Feira de Santana anunciou novo aumento na tarifa do transporte
público. Na compra por meio do cartão social o valor saiu de R$ 4,15 para R$
4,75, no cartão, e R$ 4,90 em dinheiro. A proposta foi elaborada pelo Conselho Municipal de
Transportes e aprovada pelo prefeito Colbert Martins Filho. O aumento vem sendo
duramente criticado pela população que enfrenta cotidianamente um transporte em
mau estado de conservação, muitas vezes sujos e, principalmente, em quantidade
insuficiente para atender a demanda. Com o aumento, Feira de Santana alcança o
mais alto valor cobrado na tarifa de ônibus em todo o Nordeste, lugar que era
ocupado somente pela cidade de Salvador, onde a tarifa também é R$ 4,90.
Para o economista e diretor da Adufs, professor Rosevaldo
Ferreira, a baixa qualidade do transporte público feirense é evidente: “O transporte
público em Feira é um dos piores do país quando observamos cidades com mais de
500 mil habitantes. Existem roteiros inviáveis e frota de ônibus insuficiente
para atender a população. Além de poucos, são veículos com mais de 5 anos de
uso. Para que se tenha uma ideia, se trata da menor frota em cidades de porte
médio acima de 500 mil habitantes”, explica.
Na análise do professor
Rosevaldo, o aumento da tarifa deve trazer impactos significativos para a
população que já tem um poder de compra limitado: “As pessoas precisam usar o
transporte para acessar a cidade, quer seja para trabalhar, estudar, comprar e
vender bens e serviços. Um aumento no preço do serviço de transporte (tarifa),
reduz a capacidade de compra da classe trabalhadora, principalmente, as
trabalhadoras e os trabalhadores de baixa renda, em especial os que não tem
carteira assinada, afinal de contas não recebem o vale transporte”.
A forma como é
gerenciada a questão da mobilidade, no que diz respeito ao transporte público,
para o professor é um modelo ultrapassado que não favorece quem depende dos
serviços diariamente: “Este modelo de concessão pública está falido e a
prefeitura precisa tomar uma atitude de reestatizar o serviço e não cobrar
tarifa dos usuários. 67 cidades no Brasil já adotam o programa de tarifa zero.
Assim se torna importante que se tome essa atitude para melhorar a vida das
pessoas”, conclui.
A justificativa utilizada pelo prefeito Colbert Martins Filho para o aumento da tarifa foram os custos do sistema. O que nos parece óbvio, no entanto, é que estes custos estão sendo totalmente repassados para as (os) passageiras (os), uma vez que, há muito o valor alto da tarifa não reflete na qualidade do serviço. Para ter acesso à cidade e se deslocar até áreas mais distantes do centro da cidade e/ou para os distritos, passageiras (os) passam horas aguardando e ainda sofrem com os constantes assaltos dentro dos transportes.
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