Adufs participa de Reunião do GTSSA, em Brasília
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Um parecer técnico sobre o BRT (sigla em inglês que significa Transporte Rápido por Ônibus) de Feira de Santana foi apresentado pela arquiteta, urbanista e especialista em transporte urbano, Maria de Fátima Silva, que apontou diversas fragilidades e incoerências presentes na concepção e elaboração do projeto, na noite de terça (15), na Uefs. A Adufs, representada pelo diretor Rosevaldo Ferreira, foi uma das entidades que compuseram a mesa.
A palestrante fez um contexto histórico sobre o uso do BRT, projetado como um sistema integrado que visa oferecer transporte de massa para corredores grandes extensões, e relatou a experiência de implantação em outras cidades brasileiras e países. Conforme Fátima Silva, o BRT de Feira de Santana foi projetado com 2,5 km e outro com 4,5 km, bem abaixo da quilometragem média de obras. Goiânia, por exemplo, tem 27 quilômetros e Recife possui 18 quilômetros.
“A empresa contratada para elaborar a proposta não fez um estudo de mobilidade urbana. O levantamento do trânsito e de transporte público foram dirigidos para uma solução desejada. Do ponto de vista técnico, o projeto é uma indecência”, denunciou, acrescentando que também não foi feito tratamento nas vias do BRT e nem nas vias alimentadoras do sistema. Ainda conforme a urbanista, um outro problema é que a quantidade de pessoas a ser transportada pelo sistema é significativamente pequena, o que inviabiliza a implantação do projeto. “A demanda municipal é de dois mil passageiros por horas/sentido, enquanto a solução empregada em estações fechadas com ônibus articulado atende a oito mil”, alertou.
O alto custo para a execução do BRT também chamou a atenção da urbanista. Na palestra, informou que o valor de referência para investimento em um BRT é R$ 80 milhões. Em Feira de Santana, a intervenção custará R$ 97 milhões, financiados pela Caixa Econômica.
Para o professor e membro do Grupo de Trabalho de Mobilidade Urbana da Uefs, Rosevaldo Ferreira, além de apresentar graves problemas do ponto de vista da viabilidade técnica, o BRT de Feira de Santana traz um grande dano ambiental, sem nenhum retorno positivo para os usuários de transporte público, os moradores e o meio urbano. "A Adufs sempre participou das discussões sobre o BRT na cidade, fazendo graves críticas ao que está sendo proposto. Nos preocupamos com o papel do professor na sociedade, porque ele dá uma importante contribuição na formação de profissionais críticos e cidadãos. É importante que todos se manifestem sobre o projeto”.
A palestra realizada na terça (16) integra as atividades da XV Semana de Engenharia Civil da Uefs, organizada pelos alunos do curso.
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