Ano XII - Edição 588 - 05/01/2021
- Foto: Reprodução

Com o fim do auxílio emergencial e aumento do desemprego mais trabalhadores devem entrar na informalidade

A situação do mercado de trabalho brasileiro já era preocupante antes da pandemia, mas com as crises sanitária e econômica que se instalaram com o novo coronavírus o desemprego aumentou e empurrou mais pessoas para a informalidade, tornando o quadro nacional ainda mais grave. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD), já em 2019 o número de trabalhadores (as) informais chegava a 40% daqueles (as) inseridos (as) no mercado de trabalho, o que equivale a um total de 38 milhões de pessoas.

Somente nos primeiros seis meses de 2020 mais de 12 milhões de trabalhadores (as) perderam o emprego formal, a consequência disso é o aumento exponencial da miséria e da precarização das relações trabalhistas. O economista e professor da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS) que também desenvolve pesquisa sobre mobilidade urbana, Antonio Rosevaldo, explica como o que está ocorrendo é uma consequência do meio de produção capitalista: “O Capitalismo só deu certo para uma minoria! Infelizmente a fome voltou com força e pessoas estão em estado de miséria absoluta. Não se precisa nem apresentar dados estatísticos, basta um olhar nos semáforos e ruas do país. As tristes lonas amarelas substituem as causas perdidas, a esmola volta a ser forma de sobrevivência”, afirma.

A falta de direitos trabalhistas abre espaço para a exploração ainda maior do (a) trabalhador (a) que precisa se submeter a condições degradantes para sobreviver. Este processo de ampliação da lucratividade capitalista em detrimento das melhores condições de vida dos (as) trabalhadores (as) foi ampliado com o que vem sendo chamado de uberização do trabalho e tem os aplicativos como principais ferramentas. “Este processo vem sendo acurado através da precarização dos empregos, a chamada uberizacao dos empregos. O desgaste das famílias lutando pela sobrevivência, vem sendo efetivado de forma perversa [...] Sem sindicatos, sem governo, eles começam a se organizar nacionalmente, sem partidos políticos por trás, fazem de seu sofrimento a sua formação política. Sem seguro, são assaltados impiedosamente por cima pelos donos de aplicativos e por baixo com os clientes e falsos clientes”, enfatiza o professor.

Para o professor, a única alternativa é a ação da classe trabalhadora em conjunto com partidos, organizações e instituições comprometidas com pautas progressistas: “O neoliberalismo causa a destruição do tecido social e os partidos de esquerda, os coletivos precisam urgentemente levantar a bandeira da revogação das reformas da previdência e do trabalho; elas conseguiram destruir a economia, reduzindo a demanda. Portanto, necessário se faz que a classe trabalhadora tensione em busca da retomada de seus direitos”.

Nesse contexto de privação de direitos, a situação dos (as) trabalhadores (as) informais de Feira de Santana merece atenção especial. Desalojados em meio à pandemia, foram expulsos (as) dos seus locais de trabalho (link) por conta de um projeto excludente de revitalização do espaço urbano da gestão Colbert Martins que removeu as barracas das ruas do centro da cidade. Para a professora da UEFS, doutora em Geografia, Alessandra Teles, a situação dos (as) trabalhadores (as) informais de Feira de Santana é de exclusão e exploração, já que são colocadas condições econômicas inviáveis para o exercício de suas funções: “Analisando o percurso histórico do trabalho em Feira de Santana é possível concluir que sua formação e consolidação ocorreu através do trabalho informal. A feira que é o ponto de origem da aglomeração humana e urbana é um trabalho essencialmente informal. Porém, os agentes políticos à frente da administração da cidade sempre olharam a feira como sinônimo de atraso e buscaram colocar a cidade numa era de modernidade. Ontem e hoje, o trabalhador informal é visto como retrocesso, como ruralidade e esses elementos não cabem numa urbanidade moderna, metropolitana; então o poder público sucessivamente busca desarticular a atividade desse segmento seja supostamente reorganizando o espaço ou utilizando da força para desocupar locais considerados valorizados e estratégicos”, explica a professora Alessandra que é integrante do Grupo de Estudos e Pesquisa em Economia Popular e Solidária e Desenvolvimento Local e desenvolve pesquisa nas feiras livres e com os trabalhadores informais.

Diante dos fatos ocorridos em 2020, a expectativa é de que o cenário de 2021 seja ainda mais difícil já que a gestão municipal não tem apresentado saídas para os (as) trabalhadores (as): “A situação de desemprego para 2021 tende a piorar diante do cenário posto em 2020. Nada de fato foi feito pensando nas atividades econômicas presentes no município e pelo trabalhador informal em Feira de Santana. Diante desse cenário, e com o fim do auxílio emergencial do Governo Federal, o número de pessoas que vão buscar na informalidade uma alternativa de sobrevivência será uma realidade crescente e com o agravante de não poder utilizar a circulação de pessoas nas ruas da cidade para ofertar produtos e serviços”, conclui.
 

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DEMAIS NOTÍCIAS

Incompetência do governo federal em lidar com danos da pandemia torna a situação do país ainda mais grave

O Brasil já ultrapassou as 195 mil mortes notificadas pela Covid-19 e ainda nesta semana deve chegar à triste marca de 200 mil mortos pela pandemia. Enquanto diversos países, inclusive da América Latina, deram início ao processo de vacinação; no Brasil o governo federal continua com total inabilidade e irresponsabilidade para conduzir a nação para a saída desta crise sanitária que promete ser letal em várias áreas. A solução contra as arbitrariedades desse governo é a união de organizações, entidades e movimentos na luta em defesa da vida em condições dignas para os (as) brasileiros (as).

A incompetência do governo Bolsonaro junto à perversidade com a qual vem realizando ações que fomentam o negacionismo em relação à vacina, à doença e às mortes provocadas por uma virulência que se mostra ainda mais mortífera, incentivando aglomerações e questionando o uso das máscaras; nos permite inferir que o ano de 2021 exigirá ainda mais enfrentamentos.

A mais recente notícia sobre o fracasso do governo na compra das seringas é a prova real da ingerência desta gestão. Alertado desde julho de 2020 sobre a necessidade de compra dos insumos para uma vacinação em massa, somente em 29 de dezembro foi realizado pregão para a compra do material pelo Ministério da Saúde que só conseguiu encaminhar o contrato de 7,9 milhões dos 331 milhões de conjuntos destes produtos.

Sem previsão para o início da vacinação e com um Plano de Vacinação excludente, o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Ricardo Lewandowski, acolheu pedido do governador do Maranhão, Flavio Dino (PC do B), e autorizou que Estados e municípios comprem vacinas aprovadas por autoridades sanitárias dos Estados Unidos, da União Europeia, da China e do Japão. A decisão do ministro foi submetida ao Plenário e ainda não foi votada nem agendada por conta do recesso de fim de ano.

Diante dos empecilhos criados pelo governo federal enquanto centenas de brasileiros perdem a vida todos os dias, a solução para enfrentar as múltiplas crises que se acumulam perpassa pela construção de ferramentas de luta que se tornem possíveis mesmo em um cenário que exige a utilização de medidas de segurança sanitárias para garantia da sobrevivência humana. Nesse sentido, contra o desemprego, a fome, a miséria e em defesa das instituições públicas, 2021 se torna uma extensão do ano anterior com ainda mais necessidade de enfrentamentos contra as arbitrariedades governamentais em todas as suas instâncias.

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ANDES-SN

Anvisa não serve aos interesses de governos, diz carta de servidores da agência

Servidores da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicaram um comunicado à sociedade afirmando que a "Agência não serve aos interesses de governos, de pessoas, de organizações ou de partidos políticos" por se tratar de uma autarquia sob regime especial, conforme a lei de criação da agência.

A carta aberta, da Associação dos Servidores da Anvisa (Univisa), é uma resposta dos funcionários às intervenções e aparelhamento feitos pelo presidente Jair Bolsonaro na Anvisa, que tem sido o foco das atenções desde o início da pandemia da Covid-19. A agência reguladora autoriza ou não, em todo o país, a utilização de medicamentos e vacinas. Sem mencionar nomes, os servidores reafirmam que a "Anvisa é um órgão do Estado brasileiro e está a serviço do povo brasileiro".

Leia na íntegra no site do Andes-SN.
 

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CSP-Conlutas

Em 2021, mais que desejamos, exigimos: vacina, auxílio emergencial, quarentena geral e plano de obras públicas

Estão na pauta de 2021 as mobilizações dos trabalhadores e povo pobre em defesa da vida, renda, direitos para poder sobreviver e a exigência de um plano emergencial de obras públicas para garantir melhores serviços públicos e empregos.

Também precisaremos fortalecer as lutas contra a violência à mulher que se agravou durante a pandemia; contra o racismo e a LGBTfobia; em defesa dos idosos, dos povos indígenas, quilombolas e ribeirinhos e em defesa dos que lutam por moradia e terras.

É urgente que as direções das centrais sindicais e dos movimentos em geral se mantenham em prontidão e intensifiquem um processo de lutas cumprindo o papel de transformar o desespero que se abaterá sobre os trabalhadores e os mais pobres em mobilizações. Não podemos permitir que para que 3,4% das elites enriqueçam mais quase 50 milhões de pessoas estejam na linha da pobreza.

A CSP-Conlutas, que esteve comprometida com a ampla maioria das lutas que ocorreram no país neste ano de 2020, novamente impulsionará e apoiará as lutas dos trabalhadores em defesa dos direitos e da vida.

Leia na íntegra no site da CSP-Conlutas.
 

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Junte-se e lute!

FILIE-SE À ADUFS

A metáfora dos gravetos que individualmente podem ser quebrados é uma grande inspiração para pensar a relação com o sindicato e o seu significado, pois um feixe de gravetos, sendo mais resistente, representa bem o que são os trabalhadores organizados e o seu potencial transformador. Organização e intervenção crítica na realidade são duas fortes motivações para minha vinculação à Adufs..


Antônia Almeida Silva - professora do Departamento de Educação.

A força do sindicato está em seus/suas filiados (as) e na capacidade de defender os interesses da categoria. Desde a sua criação, em 1981, a Adufs tem pautado a luta em uma prática democrática, coerente e firme na defesa de um projeto de universidade pública.

Participar do sindicato é exercer cidadania, é ser sujeito da sua história. Para filiar-se é preciso preencher um formulário (aqui), autorizar o desconto mensal de 1% sobre os vencimentos, assinar e entregar na Sala da Associação, que fica no Módulo IV (MT 45) da Uefs.

Avenida Transnordestina, MT 45, Novo Horizonte
Campus Universitário - UEFS - CEP 44036-900 - Feira de Santana - BA
Tel: (75) 3161 - 8072 | (75) 3224 - 3368
Email: ascomadufsba@gmail.com
www.adufsba.org.br

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